Daily stories

A vida de um agente multifacetado

Mégane

É incrível. Cada vez percebo menos os motivos que levaram a que não se desenvolvesse mais a versão de pista ou rallye deste magnífico carro. Falo do Renault Mégane, na sua primeira geração. A máquina que conduzo é já algo velha, tem quase 7 anos, já passou maus bocados como os 3 acidentes sofridos entre 2003 e 2005. Foram bastante maus até. O chassis foi danificado, tendo mesmo sido necessario “esticá-lo”. No entanto este 1.9dci continua a mostrar a sua garra. Abuso um pouco dele, tendo o já levado aos limites da tracção e andado com ele de lado em curva. No entanto nada que se compare à última aventura!
Fui para Recarei. Observando bem a estrada, fazendo as minhas notas mentais, já lá não ia há bastante, e no regresso começou a prova.
Engreno primeira, acelero, meto segunda, terceira, pisca para a esquerda, travo, reduzo, páro, reduzo a primeira. Ninguém na estrada, levanto a embraiagem enquanto vou preparando o acelerador e o carro entra na estrada com uma aceleradela a fundo que me faz dar ao braço para segurar a traseira, forçando-me a pequnos ziguezagues. Acelero até a rotunda, em cuja entrada travo a fundo e não havendo problema, recupero com um toque no pedal do acelerador, fazendo a rotunda de forma suave mas decidida, saio e puxo pelo motor. 2750, 3000, 3500, 3250, 3500, quarta, 90km/h, 100km/h, 110km/h, primeira curva, uma direita simples, negociada com uma travagem forte à chegada e, no apex, um pressionar do acelerador, daqui para a frente é uma violenta sequência de acelera, mete mudanca, trava, reduz, pneus a chiar, volante a girar em toda a linha, ora para iniciar a curva, ora para ir buscar a traseira, pesada e solta, a frente responde bem, coloca-se bem na curva, mas a traseira dá luta. Continuam a chiar os pneus, curva contra curva e entao e que a traseira se perde, tenho mesmo que reduzir para segunda e acelerar enquanto viro volante todo, ora para a direita, ora para a esquerda, numa coreografia fantástica. Chego a Parada e apanho tráfego. Termina a brincadeira…

Muito pelo contrário, em Cête, na rotunda saio na segunda, e não tendo mais tráfego recomeça tudo, até ao cruzamento para Urrô, onde entro com algum cuidado pois é um pouco estreito, tendo uma esquina de uma casa a impedir a visibilidade. Por todo o caminho prossigo em ritmo de corrida, com muitas passagens de caixa, muitas travagens a fundo, um cheiro a borracha teima em se manter no ar. Na realidade sou eu que estou tão embriagado por este que insisto em mantê-lo.

Bem, um dia tenho que aproveitar um track day para levar o carro para um local onde possa levá-lo ao limite em segurança. Por enquanto, vou regressar à condução normal, nada de ligar o modo de corrida.

Comments are closed.