Daily stories

A vida de um agente multifacetado

Devaneios – O artista reflecte sobre a sua morte

Sobrevivo sem os seus beijos, mas sem o seu toque, o seu aroma, o seu sorriso, o som da sua voz, os seus caracóis envolvendo os meus dedos… Tudo se complica. É quase uma condição sine qua non para a minha sobrevivência.
Contudo estou a lutar para que tal seja possível. Sendo que tal é sobreviver sem ela. Alargando o meu horizonte, vivendo, acreditando que há mais alguém neste mundo que porventura me queira realmente. No entanto, não acredito em tal. Talvez seja esse o meu problema.
O meu mundo abateu-se repentinamente e não o consegui reconstruir até agora e já vai em quase 70 dias…
Não sou Deus, sou, sim, um comum mortal.
Um mortal que ama uma mulher, a mais próxima da perfeição que já conheceu, tendo em conta toda a matreirice derivada do facto de ser mulher. Contudo, é a mulher que me prendeu, me cativou, me fez feliz como ninguém mais fez.

Mais um devaneio,
Mais uma loucura,
Mais um momento Zen que veio…
Que me transfigura em algo interessante,
Quando na realidade esta carapaça é um horror!
E ainda pior é o seu interior…

E sim…
É pior pois está morto.
Porque tudo deu para o torto,
Só porque ela o quis assim…

Sem métrica,
mas com alma.
Sem cinética,
com calma…

Comments are closed.