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A estupidez de um ser que talvez não o seja

Isto tudo começa com a minha vinda a este vil mundo, seguida das minhas deslocações por entre este, que, em conjunto com as minhas vivências me foram moldando e acabaram por me transformar neste ser pútrido, inolvidável, muito devido à sua capacidade de irritar as pessoas em menos de 3 segundos, as bombardear com os seus defeitos e raramente mostrar as suas [raras] virtudes.
Os últimos tempos têm sido profícuos em problemas, dúvidas, questões idiossincráticas, autocomiseração, autocrítica, autodestruição moral, definhamento.
Tudo gira em volta de mim mesmo, num egocentrismo gigantesco, incomparável, indescritível. Nada é deixado ao acaso neste deturpado narcisismo em que o personagem mergulhou. No entanto, qual Ícaro, a figura cai, não no mar, não na terra, mas sim num abismo de sentimento que nem o absinto faz desaparecer. Sentimentos que, volta não volta, ressurgem, fazendo com que o elemento da acção navegue desgovernado, sem qualquer rumo, sem motivo lógico sequer para continuar a sua jornada.
Os momentos de tensão aproximam-se e a figura ganha uma nova dimensão, mais taciturna, mais fechada. A sua misantropia evoluiu para o estado seguinte. A entropia toma conta do seu consciente e o desequilíbrio trepa, galopante, até ao seu máximo, tornando a complexidade deste inútil ser tão grande que não será capaz de se compreender.
Esta entidade teima em ter ideias, planear, mas nada consegue obter, sendo que quando age impulsivamente tudo corre pelo melhor, no entanto nada disso é o suficiente para o satisfazer minimamente.
O personagem tudo tenta para melhorar o mundo, mas falha compulsivamente. Nem para si, nem para ninguém esta figura serve, nem pela margem mínima. Tudo é irrelevante, todo o esforço, toda a dedicação.
Em suma, isto é um tudo ou um nada…

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1 Response to “A estupidez de um ser que talvez não o seja”


  1. Gravatar Icon 1 Clara Jul 31st, 2008 at 11:44 pm

    Faz-te bem libertares e/ou partilhares o que te tem atormentado ultimamente, que é como quem diz, nestes últimos 25 anos.
    Há certos pormenores com os quais não concordo nada (já sabes quais), portanto, vê se deixas as asas de cera e se te ficas no labirinto, lutando contra esses minotauros até salvares a tua Ariadne. Já que cito aqui muito sumariamente um mito, do qual gosto muito, finalizo dizendo que “o mito é o nada que é tudo”. O tudo do nada pode ser o nada de tudo.

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