Daily stories

A vida de um agente multifacetado

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Tenho andado a escrever há bastante tempo mas não tenho tido paciência alguma para publicar e os posts têm ficado a meio.

Hoje É um bom dia para publicar algo. Cheguei à pouco da minha segunda aula de condução, que correu bem, felizmente. Estou agora na escola, por preguiça de ir para casa e depois voltar para cá. Assim facilita tudo excepto, talvez, o facto de estar a passar uma grande seca. Enfim… Nem tudo são rosas, logo, ha sempre contrariedades.

Acabei de ligar para a minha mãe, está com o meu pai no Hospital para fazer um exame, saíram de casa ainda antes de mim. Nem 8h eram. Isto de ir ao hospital tem o que se lhe diga. Têm sempre tanta gente lá que para a mínima coisa como suturar uma ferida ou receitar um medicamento para a gripe se demora uma eternidade.

 

Mas não é sobre hospitais que escrevo hoje. É sobre a vida. Essa maravilha que foi gerada e se tem mantido até agora, ora com algumas dificuldades, ora sem estas. Mas tem sido gerida com algum rigor, pensando mais para a frente do que para trás, pois de nada vale pensar no que aconteceu. “O que está feito, feito está.” – diz o ditado. Mas por outro lado, pensar no futuro porquê? “O que será, será!” – diz outro ditado. De qualquer forma,pelos vistos não se deve pensar na vida, pois o carpe diem diz-me para viver cada momento.

Mas existe alguém que não pense no que se passa? Existe alguém tão irracional que apenas vive o momento? É demasiado estranho que isso possa ser possível, pelo menos para mim, pois eu não consigo.

Penso bastante no que se passa actualmente e um pouco no futuro, penso nas palavras e acções de ontem, de anteontem, de há algum tempo atrás mesmo. Por vezes penso por que razão aconteceram certas coisas no passado, mas não chego a um consenso.

Hoje penso bastante.

Agora penso em ti. Tenho saudades tuas. A sério que tenho, podes até nem acreditar como aconteceu quando nos deixamos de falar, mas sim, é verdade. O mundo já deu milhares de voltas e mesmo assim não esqueço a nossa amizade, os nossos momentos divertidos e, como é óobvio, também não esqueço os maus momentos. Será que hoje poderiamos fazer algo para recuperar esta amizade perdida?

Hoje vi uma grande amiga, conhecemo-nos desde o infantário, estudamos juntos até ao 9º ano, no 10º cada qual seguiu o seu rumo, mas voltamos a estar juntos numa sala no 12º para ter aulas de física. Até a faculdade que frequentamos foi a mesma. Cursos diferentes e pólos diferentes, mas não era longe. Eu em Braga, tu em Guimarães. Vi-te, devias estar a ir para o trabalho. Tás diferente, nem me deves ter reconhecido, pois já passou bastante tempo desde a última vez que falamos. Ainda assim foi bom ver uma cara tão familiar.

Mas hoje em dia penso muito mais em ti, pois é. E é tão natural eu o fazer. Sabes o quanto me preocupo contigo, o quanto gosto de ti. Definho. Tenho tantas saudades tuas. O que vale é que mantemos o contacto durante o dia, todos os dias e sei que em breve nos vamos encontrar e matar todas as saudades que temos, mas, até lá, definho. Sinto a tua falta, da tua meiguice, do meu carinho, do teu sorriso, de te fazer rir, de te abraçar. Sinto falta dos teus doces lábios.

Quero passear contigo, dar-te a mão na rua, levar-te a jantar, ajudar-te a escolher aquela carteira para combinar com aquela camisola que combina com aquelas calças que, por sua vez combina com os sapatos que compraste sei lá bem onde. Quero estar ao teu lado, sempre que precisares, sempre que eu precisar de ti. Acima de tudo, quero conhecer-te o melhor possível e mostrar a tudo e todos o quanto gosto de ti.

Faz dias que não te vejo, que não te sinto. Não… Eu sinto-te, ainda sinto o teu abraço, os teus lábios, o teu perfume, e é o facto de saber que vou voltar a sentir que me faz sorrir, que me dá alento para aguentar esta minha passagem pela vida.

 

A vida.

 

Volto ao tema. Não que o tenha deixado algures, mas trato-o mais objectivamente, sem medos, sem motivo para sofrer. A vida não é mais do que uma passagem, mas é longa, na maioria da vezes, curta, por vezes, infelizmente. Mas é vida. E esta não deve ser negada. Há que ser racional e pensar duas vezes antes de gerar uma, há que ponderar se realemente é a hora. Eu não tenho, neste momento, coragem para ajudar na concepção de uma vida. Não que fosse mau, ou que esteja em dificuldades. É, para mim, uma questão moral. Não daquelas questões morais religiosas, mas eu não tenho moral para colocar uma criança neste mundo que tanto detesto. Este mundo cheio de problemas. Não me parece certo que se crie uma criança com medo de sair à rua porque pode haver uma explosão, porque pode haver uma bala a ricochetear, porque pode ser atropelada. Mas há outros motivos por detrás da minha escolha. Olhem para o céu, para as plantas ou animais. Olhem para a Natureza. Está triste. Estamos a matá-la a cada dia com as nossas ameaças. E não é apenas aquela poluição que toda a gente critica e nada faz. Temos a poluição sonora, que consegue ser tão ou mesmo mais grave. Temos também a poluição visual pois, milhares de outdoors e placas anunciam produtos que, muitos deles, nem pensei existirem. Temos a televisão a dar esses mesmos anúncios e a propagandear produtos durante os seus programas. Vai desde colchões a automóveis, de aspirinas a cremes reparadores, de férias em Espanha a um ralador de queijo.

Necessitaremos mesmo de tudo isso?

1 Comment so far

  1. The Net Man
    November 3rd, 2006

    | 8:16 pm

    Pois.. A vida e’ um rio que nasce no pequeno orvalho da amanha da montanha e termina em grande na foz à beira da praia, com um por do sol explendoroso. Neste rio, que e’ a vida, uns mais longos, outros mais curtos, uns mais rápidos, outros mais lentos, mas todos Rio.

    Quem sabe nao temos afluentes, lagos, estuarios, secas, cheias, cataratas, despejos de poluentes, VIDA!
    O rio flui, move a mo’, a turbina, da vida vem vida, e assim se fecha o ciclo. O Rio abre os braços quando é tempo disso, mas nunca sabe quando o tem de fazer, mesmo tendo o seu destino traçado desde o inicio.

    Portanto, Rio, em frente é que é caminho, pois quando passares nos sitios sabes por onde fluir e seguir para a Foz da vida!